Realizados, Seminário
Açúcar & Álcool
30 de Janeiro de 2006
Vários fatores apontam para um futuro de forte expansão e de lucratividade do setor sucroalcooleiro. Os bons números incluem a venda acelerada de carros bicombustíveis, a elevada valorização do barril de petróleo, as crescentes exportações de álcool e, agora, a vitória dos produtores brasileiros na OMC sobre os subsídios europeus. Só a retirada destes subsídios, que deve começar em maio, pode agregar mais de US$ 500 milhões às usinas brasileiras. A escassez de álcool no atual período de entressafras evidencia a crise de crescimento que o setor hoje atravessa.
O setor vem crescendo nos últimos anos a taxas superiores a 13% ao ano. Em 2003, as exportações de álcool mal passavam dos 650 milhões de litros. Para 2006, devem se aproximar a 3 bilhões de litros. As exportações dos dois produtos devem gerar US$ 3,6 bilhões no ano-safra 2005/06. E, para 2010, a estimativa é que a renda chegue a US$ 5,5 bilhões.
O avanço das exportações exige cuidados especiais com o crescimento da produção física de cana, com a administração de estoques públicos e privados na entressafra, e com a modernização das usinas. Dados da União da Indústria Canavieira (Unica) indicam que a demanda, em 2010/11, será da ordem de 560 milhões de toneladas. Para atender a esta demanda, o cultivo e a produtividade precisam crescer e a gestão das usinas precisa avançar em eficiência, o que requer investimentos em racionalização administrativa, na incorporação de novas terras e em unidades processadoras. Em São Paulo, 30 novas usinas estão sendo construídas. O setor precisa investir US$ 10 bilhões nos próximos sete anos, a ser mantido o atual ritmo de crescimento mundial de demanda por álcool.
Na medida em que os negócios sucroalcooleiros adquirem novas dimensões, o setor enfrenta novos desafios. Causa certa preocupação o recente relatório do Banco Mundial, que acusa o governo de subsidiar este setor, além imputar à atividade impactos negativos sobre as questões fundiária, ambiental e social. Enquanto o documento não for totalmente modificado, pode servir de ‘‘munição’’ para nossos competidores internacionais. Algumas ONGs ambientalistas têm adotado uma linha de ação mais agressiva, opondo-se a novos projetos de construção de usinas e de infra-estrutura energética, como no Mato Grosso do Sul. A ação ambientalista, altamente inibidora de investimentos, também deve se intensificar no cerrado, para onde a cana está migrando com grande potencial tecnológico, inclusive com variedades de bom potencial produtivo e boa adaptabilidade.
Muitas questões precisam ser avaliadas, a fim de orientar melhor empreendedores já estabelecidos e os que querem investir no setor sucroalcooleiro:
- O preço do petróleo se manterá acima dos US$ 50?
- Qual a capacidade brasileira de investimento para atender ao esperado aumento das exportações de açúcar e álcool?
- Quantos mil hectares de terra são necessários incorporar, a cada ano, para atender ao aumento da demanda? Com que custo médio de produção por hectare?
- Qual a capacidade de coordenação de políticas setoriais públicas com o estímulo a expansão da oferta de álcool?
- Como preparar as usinas para o boom de processamento que se avizinha?
- Como utilizar Tecnologia da Informação (TI) para gerenciar a expansão?
- Os contratos já fechados para exportação de açúcar afetam em que medida a destinação da cana para álcool?
- Qual o potencial da cana no cerrado? Como gerenciar os possíveis impactos?
- Como administrar a resistência das ONGs em novas zonas de produção?
- Por que o Relatório do Banco Mundial pode prejudicar o Brasil?
PROGRAMA
8h30 — Credenciamento
9h00 — Perspectiva Setorial: O Crescimento Será Sustentável? – O Desafio da Modernização das Usinas
Maurílio Biagi Filho
Presidente do Comitê de Agroenergia e Biocombustíveis da Sociedade Rural Brasileira (SRB)
9h45 — Álcool Carburante como Commodity: Perspectivas
Luiz Carlos Corrêa Carvalho
Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
10h30 — Coffee Break e Networking
10h45 — Desenvolvimento Tecnológico na Produção de Álcool: Que Caminhos Seguir para Aumentar sua Eficiência
Antônio José Meirelles
Professor associado da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA-Unicamp), doutor em Economia e Prêmio Jovem Cientista de 1989
11h30 — Tecnologia da Informação (TI) no Setor Canavieiro: Mudanças de Paradigma no Processo de Gestão e Seus Impactos na Expansão das Usinas
Gilberto Girardi
Diretor da Próxima Software e Serviços, especializada no desenvolvimento de soluções de TI para a agroindústria canavieira
12h15 — Almoço
14h00 — Avanço da Cana-de-Açúcar no Cerrado: Aspectos Agrotecnológicos e Perspectivas de Formação de Novos Pólos Processadores
William Burnquist
Coordenador de tecnologia do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) da Copersucar
14h45 — O Setor Sucroalcooleiro e as Barreiras Sócio-Ambientais
Nílder Costa
Engenheiro nuclear, expert em Geopolítica e editor do Alerta Ambiental
15h30 — Coffee Break e Networking
16h00 — A Questão Ambiental: Verdades & Mitos sobre Sustentabilidade e Intocabilidade
José Sampaio de Góes
Diretor de Meio Ambiente da Sociedade Rural Brasileira (SRB)
16h45 — Projetos de Instalação de Usinas no Entorno do Pantanal: Entraves Legais e Conseqüências Econômicas no Mato Grosso do Sul
Dagoberto Nogueira Filho
Secretário de Estado do Mato Grosso do Sul
17h30 — Debates com Participação do Público Presente
Jomar Martins
Coordenação jornalista

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